
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Resíduo
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco.
Do meu medo.Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz captada no chapéu.
Nos olhos do rufião de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó de que teu branco sapato se cobriu.
Ficam poucas roupas, poucos véus rotos,
pouco, pouco, muito pouco.
Mas tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada, de duas folhas de grama,
do maço - vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo no queixo de tua filha.
de teu áspero silêncio
um pouco ficou um pouco
nos muros zangados, nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo nos pires de porcelana, dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa, retrato.
Se de tudo fica um pouco, mas por que não ficaria um pouco de mim?
no trem que leva ao norte, no barco, nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres, em pouco de mim algures?
no consoante?
no poço
Um pouco fica oscilando na embocadura dos rios e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool, salta esta perna de rã,
este vidro de relógio partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne, este segredo infantil...
De tudo fica um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
do vento nas orelhas minhas, simplório arroto, gemido
de víscera inconformada, e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula de revólver...de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória.
Mas tudo, terrível, fica um pouco.
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço do cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
De tudo ficou um pouco.
Do meu medo.Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz captada no chapéu.
Nos olhos do rufião de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó de que teu branco sapato se cobriu.
Ficam poucas roupas, poucos véus rotos,
pouco, pouco, muito pouco.
Mas tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada, de duas folhas de grama,
do maço - vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo no queixo de tua filha.
de teu áspero silêncio
um pouco ficou um pouco
nos muros zangados, nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo nos pires de porcelana, dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa, retrato.
Se de tudo fica um pouco, mas por que não ficaria um pouco de mim?
no trem que leva ao norte, no barco, nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres, em pouco de mim algures?
no consoante?
no poço
Um pouco fica oscilando na embocadura dos rios e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool, salta esta perna de rã,
este vidro de relógio partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne, este segredo infantil...
De tudo fica um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
do vento nas orelhas minhas, simplório arroto, gemido
de víscera inconformada, e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula de revólver...de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória.
Mas tudo, terrível, fica um pouco.
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço do cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Stop Stress
Línox
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Interno ao mundo moderno de tênis terno e gravata
Batendo lata com lata lotado de confusão
Eu já perdi a razão, o cabelo, o swing, o sangue,
o pandeiro, o tempero e todo dinheiro do mês
Sempre de mal com tudo, falando mal do mundo
Eu ia atrás dos passos de vocês
Estressadinhos da Estrela, complicadinhos da Troll
Tô fora da brincadeira de pilha eu tô legal
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Sem paradeiro, sem rumo, sem dica, sem direção
Sem solução, sem soluço,uhh! Sem confusão
Sozinho e sem destino, sem tino eu vou ficar
Soltinho feito um menino sem ter com que preocupar
Vou me mandar desse estado vou me mudar de canal
Num verso de Jorge Amado cantado por Dorival
Bem longe desse negócio, troquei o estresse por uns dias de ócio
E no mais, tchau!
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Não me acompanha que eu não sou novela
Sai do meu pé, tem horas que essa vida pela, mas espera
Que saco! Porque que eu tenho que engolir?
Correr, correr, correr...
Atrás de quê? Peraí!
Parece que o mundo vai fugir, mas quem foge é a minha paz
Ei rapaz me trás um chope bem gelado e um bom livro
Que eu fechando para reciclagem.
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Interno ao mundo moderno de tênis terno e gravata
Batendo lata com lata lotado de confusão
Eu já perdi a razão, o cabelo, o swing, o sangue,
o pandeiro, o tempero e todo dinheiro do mês
Sempre de mal com tudo, falando mal do mundo
Eu ia atrás dos passos de vocês
Estressadinhos da Estrela, complicadinhos da Troll
Tô fora da brincadeira de pilha eu tô legal
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Sem paradeiro, sem rumo, sem dica, sem direção
Sem solução, sem soluço,uhh! Sem confusão
Sozinho e sem destino, sem tino eu vou ficar
Soltinho feito um menino sem ter com que preocupar
Vou me mandar desse estado vou me mudar de canal
Num verso de Jorge Amado cantado por Dorival
Bem longe desse negócio, troquei o estresse por uns dias de ócio
E no mais, tchau!
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
Não me acompanha que eu não sou novela
Sai do meu pé, tem horas que essa vida pela, mas espera
Que saco! Porque que eu tenho que engolir?
Correr, correr, correr...
Atrás de quê? Peraí!
Parece que o mundo vai fugir, mas quem foge é a minha paz
Ei rapaz me trás um chope bem gelado e um bom livro
Que eu fechando para reciclagem.
Stop stress que eu to ficando louco
Stop stress me tira do sufoco agora
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Condição Humana
Linox
Desculpe!
Mas não posso prometer
Que eu nunca vou
Te machucar
Porque!
Sob a dura
Condição Humana
Vivemos eu e você
Como sempre foi
Todo dia, um novo dia...
Eu sei que mal
A gente se juntou
E já mudou NO modo de pensar
E o medo de mudar assusta
Eu sei!
E custa a aliviar
Mas não há de ser
Mais forte que um novo dia...
Afinal!
Tudo aconteceu
De repenteNum sinal!
Era tudo
Tão diferente...
O amor chegou
E eu cheguei prá você
Você me olhou
E a gente pagou prá ver...
Desculpe!
Mas não posso prometer
Que eu nunca vou
Te machucar
Porque!
Sob a dura
Condição Humana
Vivemos eu e você
Como sempre foi
Todo dia, um novo dia...
E se eu não for do jeito
Que espera que eu seja
Não veja isso
Como uma coisa ruim
Assim as nossas diferenças
Jamais serão nosso fim...
Afinal!
Tudo aconteceu
De repente
Num sinal!
Era tudo
Tão diferente...
O amor chegou
E eu cheguei prá você
Você me olhou
E a gente pagou prá ver
E a gente pagou prá ver
Hum! Hum! Hum!Hum! Hum! Hum! Hum!...
Desculpe!
Mas não posso prometer
Que eu nunca vou
Te machucar
Porque!
Sob a dura
Condição Humana
Vivemos eu e você
Como sempre foi
Todo dia, um novo dia...
Eu sei que mal
A gente se juntou
E já mudou NO modo de pensar
E o medo de mudar assusta
Eu sei!
E custa a aliviar
Mas não há de ser
Mais forte que um novo dia...
Afinal!
Tudo aconteceu
De repenteNum sinal!
Era tudo
Tão diferente...
O amor chegou
E eu cheguei prá você
Você me olhou
E a gente pagou prá ver...
Desculpe!
Mas não posso prometer
Que eu nunca vou
Te machucar
Porque!
Sob a dura
Condição Humana
Vivemos eu e você
Como sempre foi
Todo dia, um novo dia...
E se eu não for do jeito
Que espera que eu seja
Não veja isso
Como uma coisa ruim
Assim as nossas diferenças
Jamais serão nosso fim...
Afinal!
Tudo aconteceu
De repente
Num sinal!
Era tudo
Tão diferente...
O amor chegou
E eu cheguei prá você
Você me olhou
E a gente pagou prá ver
E a gente pagou prá ver
Hum! Hum! Hum!Hum! Hum! Hum! Hum!...
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Nesse Vai e Vem

Linox
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai?...
Primeiro a gente
Encontra o mundo
De segundo, em segundo
O mundo anda
E a gente aprende
O que é andar
O tempo passa
Tão depressa
Que a gente cresce
E mal parece acreditar
Em tudo que a vida traz
Nas coisas que a vida tem
Nas voltas que o mundo faz
E essa coisa estranha
Que é gostar de alguém...
Com uma certeza
Dentro do peito
Coisa que a gente tem
E que tudo pode transformar...
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?...
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai?...
Mais tarde a gente se recebe
Se concebe, num desejo
De ir adiante
E não consegue mais parar
O tempo para, nesse instante
Na nossa cara
E vida volta a começar
Com tudo que a vida tem
Com as coisas que a vida traz
E a magia de quem vem
Com essa força estranha
Que é amar alguém...
Com uma certeza
Dentro do peito
Coisa que a gente tem
E que tudo pode transformar...
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?...
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai
Nesse vai e vem?
Onde é que a gente vai
Parar assim meu bem?
Onde é que a gente vai?...
Que agente vai tão bem!
E a gente vai também!
Que a gente vai também!
E a gente vai tão bem!...
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
domingo, 23 de dezembro de 2007
Receita de Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior) novo,
espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto
de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
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