segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Você é a pessoa que mais se parece com a pessoa que eu inventei que você é."

Tati Bernardi

sábado, 10 de julho de 2010



Virou uma disputa de quem se mostra mais indiferente;
sou eu ou você.
No final tudo acaba ficando indiferente.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mesmo Quando A Boca Cala

Foi você me olhar de lado e eu ao lado doido para confessar,
Mesmo quando a boca cala o corpo quer falar.

Esses gestos incompletos, olhos tão repletos de te desejar,
O direito de ir e vir, o desejo de ficar.
Tudo isso pra dizer que eu não sei dizer onde é que isso vai dar,
Que eu não mando no querer, aliás, é o querer que quer me governar.

Hoje eu vivo pra dizer, eu digo pra viver, você é meu lugar,
Se o amor não nos quiser, então azar do amor, não soube nos amar...

Foi você me olhar de lado e eu ao lado doido para confessar,
Mesmo quando a boca cala o corpo quer falar

Esses gestos incompletos, olhos tão repletos de te desejar,
O direito de ir e vir, o desejo de ficar.
Tudo isso pra dizer que eu não sei dizer onde é que isso vai dar,
Que eu não mando no querer, aliás, é o querer que quer me governar.

Hoje eu vivo pra dizer, eu digo pra viver, você é meu lugar,
Se o amor não nos quiser, então azar do amor, não soube nos amar...

Vinicius Calderoni e Bruna Caram

domingo, 4 de julho de 2010


Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gosta ou não sabe gostar:
eu falo o que penso, abro as portas da minha casa,
da minha vida, da minha alma, dos meus medos.
Mas eles adoram uma sonsa. Adoram.
Mas dane-se. Um dia um louco,
direto do planeta dos 2% de homens, vai aparecer.


por
Tati Bernardi

domingo, 27 de junho de 2010

...

(...) Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais...

Mas aí, daqui uns dias.... você vai me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo."

Tati Bernardi

terça-feira, 22 de junho de 2010

...

Te demito das minhas idéias

você volta

se instala

me rouba

me carrega

não te vejo

só ouço teus passos

sinto

em forma pontiaguda

insistente

de saudade.

por Melina F.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Só numa multidão de amores

por Verônica H.

Eles não estavam trocando juras de amor, não andavam de mãos dadas, nem se chamavam por nomes infantis. Não tinha pieguice romântica ali. Mas foi a cena mais doce que eu vi: dois olhares se encontrando. Não só se encontrando: se confortando, se sabendo, se completando. Eu notei que eles eram algo além de amigos, que se desejavam e se protegiam, e foi só pela cumplicidade dos olhos, que deixavam de ser dois e se enlaçavam quatro.

Eu quis então ter um olhar pra mim. Não alguém pra chamar de meu, como diz o clichê, como grita a conveniência, mas um olhar que fosse meu por puro encaixe. Foi um pouco de inveja, talvez. Eu soube naquelas duas pessoas que elas não se sentiam sozinhas ou perdidas. Que mesmo depois de um dia cheio e chato, tinham uma certeza de carinho. E eu quis. Quis algo além da rotina do trabalho e gente fabricada com seus narizes perfeitos e cabelos penteados. Quis algo certo como o frio na barriga e a respiração travada, o coração esquecendo de bater. Quis algo errado que me fizesse bem só por escapar do caminho óbvio de toda noite. Uma espera no fim do dia, sabe? Essa espera. Não a espera de uma vida toda sem saber o que buscar pra ser feliz. Só sair do dia igual pra ter uma noite diferente. E tornar esse diferente comum só porque é bom estar perto.

Todo o amor que eu sufoquei por excesso de razão agora grita, escapa, transborda. Estou só numa multidão de amores, assim como Dylan Thomas, assim como Maysa, assim como milhões de pessoas; assim como a multidão de amores está só, em si. Demonstro minha fragilidade, meu desamparo. Eu não procuro alguém pra pentencer e ter posse, só quero uma fonte segura de amor que não dependa das obrigações, das falas decoradas, dos scripts prontos. Eu sei que eu abri mão de várias oportunidades. Sei que fiz pouco caso do amor que me entregaram de maneira pura e gratuita, só porque eu achava que podia encontrar coisa melhor. Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida.

Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer "Me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal." E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem.

Eu não quero viver como se sobrevivesse a cada dia que passo sozinha. Não quero andar como se procurasse meu complemento em cada olhar vago. Eu acho que mereço mais que isso por tudo o que eu sei que posso fazer por alguém. E fico só esperando, na surpresa do dia que eu desencanar de esperar, um par de olhos que me faça ficar sem nenhuma palavra, nada além de dois olhos se enlaçando quatro. Nessa multidão de amores, sozinho é aquele que não espera.